
A Crystal Dynamics trás Lara Croft para a próxima geração em Tomb Raider: Underworld.
Gráficos e animações caprichadas: Umas das melhores coisas do jogo são os gráficos, que estão muito bons e chegam a impressionar. As paisagens, variadas, apresentam diversos detalhes e um nível de polidez acima da média. O modelo de Lara Croft merece atenção especial, ainda mais por uma novidade nunca foi vista antes no mundo dos games, em que o corpo de Lara pode ficar sujo ou molhado dependendo do terreno em que ela está. Assim, se ela mergulhar em um lago na Tailândia e sair em terra, seu corpo ficará, de início, enxarcado, secando aos poucos. O mesmo vale se ela começar a fazer acrobacias por poças de lama em ruínas no México, sendo possível ver a sujeira espalhando-se pelo corpo. Uncharted já continha alguns desses detalhes, mas Tomb Raider: Underworld leva essa idéia dez passos a frente. Para finalizar, as animações de Lara geralmente são muito boas, seja ela tentando equilibrar-se em uma corda ou dando um salto desesperado para agarrar uma plataforma qualquer.
Sensação de aventura: O novo Tomb Raider, como dito, traz diversos locais diferentes para serem explorados. Como aconteceu com outros títulos da série, Lara viaja por vários países e localidades até chegar no objetivo final. A aventura leva a heroína até lugares como o Ártico e o mar Mediterrâneo, cada fase tendo sempre uma coisa nova, seja um bando de armadilhas espalhadas ou um mergulho até o oceano onde deve-se combater tubarões. Embora a história não seja forte, os puzzles geralmente são divertidos e as variações de cenário boas o bastante para que seja criada uma sensação boa de aventura.
Combate péssimo: A pior coisa de Tomb Raider: Underworld é o combate, preso ao que acontecia há mais de dez anos. Basicamente, tudo que o jogador faz é dar lock no inimigo com o LT e disparar sem parar com o RT. É ridículo que o combate em um jogo de terceira pessoa, em 2009, continue com tamanha simplicidade. Os produtores adicionaram o chamado “Adrenaline Meter” em que é possível apertar um botão e ter a chance de matar o inimigo de vez mas, no fundo, foi apenas uma maneira de esconder a preguiça de mexer nos controles e no modo como funciona o tiroteio. Não ajuda nada a péssima AI dos inimigos, que ficarão parados atirando em você mesmo sendo metralhados e ficarão estacionados enquanto recarregam lentamente a arma.
Câmera Confusa: Não é raro a câmera vir e atrapalhar algo em um jogo, mas, quando esse jogo é de plataforma, o problema se agrava bastante. A câmera, em Underworld, tem a teimosa mania de atormentá-lo nos piores momentos, seja dando um zoom estranho em Lara que não te deixa ver nada ou simplesmente pegar um ângulo péssimo em que você nem consegue ver a plataforma que tem que ir. Tentar mexer na câmera com o RS pode só atrapalhar e causar rodopios da câmera, deixando o jogador completamente frustrado.
BUGS: Outro problema pertinente é a existência de inúmeros bugs e indícios claros que o jogo foi feito rapidamente ou sem revisão. Um dos piores bugs são objetos invisíveis que tendem a atrapalhar o caminho de Lara, deixando-a presa, obrigando o jogador a apertar o B para sair do que quer que esteja a agarrando. Mas, claro, não para por aí. Muitas vezes você jura que pula na direção de uma plataforma para agarrá-la, mas Lara simplesmente bate em alguma coisa estranha e lá vai ela caindo na direção do abismo. Há as famosas paredes que ela pode atravessar e inimigos, ao morrer, podem ficar planando no ar. Bugs são normais em games, mas quando chegam a atrapalhar a diversão eles são um dos piores problemas.
Tomb Raider: Underworld não é o jogo perfeito, mas vale a pena para aqueles fãs de jogos de plataforma ou de Lara Croft. Os gráficos e variações de cenários são bem vindos, assim como sessões de plataforma claramente inspiradas em Uncharted. O game ainda contém diversos tesouros e relíquias que podem ser encontrados para achievements, o que aumenta sua vida útil.
Os piores problemas encontrados são mesmo técnicos, com uma câmera horrível e bugs que, de alguma forma, passaram para a versão final e ainda não foram corrigidos com um patch. Mesmo assim, o combate arcaico decepciona e mostra que ninguém teve a coragem de procurar mais inovações para as aventuras da arqueóloga. Tomb Raider: Underworld é um bom jogo, mas não é necessariamente a aventura next-gen que muitos estavam aguardando.
Nota: 7/10