sábado, 22 de novembro de 2008

Itagaki Pilot - Ninja Gaiden II

Leiam antes os comentários para uma melhor contextualização do texto abaixo!

Os funcionários da Team Ninja estão trabalhando e jogando Call of Duty, Bioshock, Halo e God of War. Estão todos com uma cara tranquila.

Funcionário: “Pessoal, pára com isso, desliga que o Sr.Itagaki tá chegando!”

Em um alvoroço eles mudam de jogo e de repente estão jogando Superman 64, Contra, Battletoads, Super Ghouls n Goblins e I wanna be the guy.

Itagaki: “Boa tarde gente. Como estão todos?”

Funcionário : “Bem, Sr. Itagaki”.

Silêncio. Os funcionários se olham e começam a suar na testa, como se estivessem prevendo alguma merda vindo. Itagaki mantém a mesma expressão do início da conversa.

Itagaki: “Gente, tive uma visão”

Os funcionários ficam decepcionados mas não dizem nada.

Itagaki: “É simples, é muito simples. Nosso jogo estará saindo em dois meses e até agora não vi muita coisa hardcore. Temos que mudar isso. Temos que mudar algumas coisas no novo Ninja Gaiden”

Funcionário:  “M-mas senhor... a IGN já disse que o último Ninja Gaiden era muito difícil. A Gamespot falou que era impossível andar três metros sem morrer. A Gamespy disse que chegar até o final era mais difícil que ver um bom jogo da SEGA sair. Até hoje apenas uma pessoa chegou ao final e uma delas foi o cara que testou o jogo, na versão beta, antes do senhor adicionar inimigos com lança míssil e armas radioativas”

Itagaki: “Mas gente, isso sim é hardcore. Eu não estou aqui para fazer joguinhos como Mario Galaxy, Super Pinball ou coisas assim. Eu faço Ninja Gaiden. Jogo de ninja. Olha pra mim, eu tenho cara de alguém que faz joguinho fácil? Olha pra mim. Olha aqui”

Aparece a cara toda modificada e esquisita do Itagaki.

Itagaki: “O que vocês não entendem é que as coisas mudaram. Estamos na next-gen, pessoal. Next-gen as pessoas estão mais espertas. Mais preparadas. Não é mais aquele negocinho simples de anos atrás. Mas calma... não se preocupem com isso. Eu tenho uma cartinha na manga para os jogadores” Itagaki fazendo o discurso dele estilo político maluco. Ele vira o rosto e vê um jogador no PC jogando alguma coisa. Ele se aproxima “*Ahem*... o que o senhor está jogando?”

O funcionário fica nervoso, bem tenso.

Funcionário2: “Chama-se Call of Duty 4, senhor”.

Itagaki: “Call of Duty 4... interessante. Guerra, tiros, soldados americanos, ingleses. Oriente Médio. Já li sobre isso, mas... acabei de perceber agora que você levou dois tiros de pistola e um tiro de rifle em um curto intervalo de tempo. A tela ficou vermelha o bastante para ocupar, digamos, uma polegada de espaço. Nada mais do que isso. E, para sumir, foi bem rápido.”

O funcionário quase chora.

Itagaki: “O senhor está jogando no veterano?”

Funcionário2: “M-mas é a dificuldade hardcore senhor!”

Itagaki tira sua luva negra ninja e dá um tapa com ela na cara do funcionário, que voa longe

Itagaki: “Para os americanos é hardcore. Para nós isso se chama acessível.  Você manchou a honra da empresa e está fora do projeto. Aqui nós fazemos a NOSSA dificuldade hardcore. É a dificuldade Itagaki. É a dificuldade cagando nas calças (ou cu sangrando se for apelar para palavrões), e eu não estou vendo suas calças sujas jogando essa porcaria.

Itagaki volta-se para o funcionário1

Itagaki: “Bem, gente, andei analisando formas de transformar o jogo mais desafiador. Uma coisa que vem me deixando preocupado é a câmera”.

Funcionário: “É verdade, todos os sites falaram que a câmera do Ninja Gaiden era um problema”.

Itagaki: “Um problema para nós, sem dúvida. Você está aprendendo. Mas não temam. Eu tenho a solução. A câmera vai acompanhar a ação bem de perto. Bem de perto mesmo. E tomaremos uns ângulos bem legais. Durante a batalha a câmera pode focar no joelho do Ryu dando um golpe. E no movimento do queixo dos inimigos. E tudo isso com ela rodopiano ao redor, buscando cada golpe e cada galão de sangue despejado”.

Funcionário: “Senhor, a câmera bem de perto não pode vir a atrapalhar em locais muito apertados? Com muito objeto ela pode ficar presa atrás de paredes e árvores”.

Itagaki: “Sim. Por isso já descidi que a primeira fase se passará no meio de uma fortaleza medieval e a segunda em uma floresta tropical. E isso me leva até o próximo ponto. Quero diversidade nesse jogo, pessoal. Cadê a diversidade!? Cadê a mudança de cenários? O que eu quero dizer é ver o nosso ninja... qual o nome dele mesmo... Ryu!... quero ele visitando diversos lugares. Nova York, Veneza, Tokyo e por aí vai”.

Funcionário: “Não sei ao certo como isso se encaixa na história, senhor. O senhor enviou a história para nós, digo, só uma frase dizendo: “Satanás quer ressuscitar o demônio. Ryu não quer deixar” e pediu para nos virarmos.

Itagaki: “Qual o problema de ter um demônio nascendo no meio do mundo e Ryu indo atrás dele? Nunca lhes falei sobre o poder sobrenatural de Ryu de se teletransportar pelo mundo e ir para qualquer cidade!?”

Funcionário: “N-não, senhor”

Itagaki: “Pois ele acabou de ganhar esse poder, idiota! E vamos trabalhando desde já. Está na hora de eu visitar o departamento de artes”

Itagaki anda e chega no departamento de artes. As pessoas estão vendo artworks de Prince of Persia, Final Fantasy e desligam tudo quando ele chega.

Itagaki: “Gente, tive uma visão”.

Um funcionári ocorre e se joga da janela

Itagaki: “Tenho ótimas idéias de design de personagem.” Ele rasga todos os papéis e artworks sobre a mesa “Um é particularmente interessante. Vocês nunca ouviram nada igual. É um chefe. Vamos lá, desenhando. Para começar... é uma minhoca. E é de metal. E tem cabeça de gente. E no lugar das antenas tem duas metralhadoras. E dá choque. O que acharam?”

Funcionário: “Excelente, Sr. Itagaki. Melhor do que o cachorro que segura uma faca na boca para atacar”.

Itagaki: “Obrigado. Posso ver o desenho?”

Itagaki: “...” “Que diabos é isso? Alguém me explica o que é isso?”

Funcionário: “S-senhor Itagaki!!! É-é que... estamos sob pressão da ESRB. Vão acabar colocando nosso jogo adults only! Então pensamos em colocar algo mais leve para um público mais jovem”

Itagaki: “EU NÃO ESTOU NEM AÍ!!! Eu quero levar é um HO – Hardcores only, ou então um PO – Psycopaths only, este é o nosso objetivo! Agora me dá essa droga de lápis e papel!”

Itagaki desenha e mexe no desenho todo.

Itagaki: “Pronto. Aqui está. A minhoca só sofre dano se o jogador acertar o quinto anel de trás para frente. Quero ver descobrirem isso. Excelente.”

Funcionário: “Sr. Itagaki, alguma mudança no design do Ryu?”

Itagaki: “Quem diabos é Ryu? Algum chefe!?”

Funcionário: “Não... é o personagem que o jogador controla”

Itagaki: “Bah, então dê roupas para ele e uma espada. E tenha em mente que a espada não é tão grande assim. E está um pouco enferrujada. E a barra de energia dele é a metade da dos chefes. E ele não pula alto porque dói as juntas.”

Funcionário: “T-tudo bem”.

Itagaki: “Muito bem. Estou gostando do jogo. Será um sucesso”.

4 comentários:

André Reis disse...

Seguinte galera, contextualizando um pouco o texto para que todos o aproveitem da forma como imaginamos, assim como entendam eventualmente porque não acharam graça :D

Uma vez estava na casa do Luiz (Bundy) e começamos a conversar sobre alguns jogos e os seus produtores, assim como questionando sempre na brincadeira algumas falhas ou escolhas de design que na nossa opinião são duvidosas.

Buscando dar um tom de palhaçada na discussão, nós fomos retratando a personalidade dos produtores (hoje vocês só conheceram 1 deles, outro já está definido e tem um terceiro muito provável de aparecer) justamente por essas escolhas de design.

Nesta episódio piloto o escolhido foi o Itagaki e basicamente nos focamos na produção do Ninja Gaiden 2 para o Xbox360. Todo mundo que vê o Itagaki lembra logo do jeito esquisito dele, das roupas estranhas que ele usa, da necessidade em tornar o jogo absurdamente difícil, e por ai vai.

Algumas piadas neste episódio só terão sentido para aqueles que jogaram ou jogo e enfrentaram alguns chefes.

O interessante é que além de um ícone da indústria, o Itagaki tem muitos momentos bizarros não relacionados a jogos. Como por exemplo aquela história do assédio sexual, ele sendo demitido (ou pedindo demissão) do Team Ninja, etc. Deste modo a idéia é por exemplo é levar o Itagaki para outros jogos e empresas, após o pedido de demissão dele. Embora ele nada tenha a ver com futuros jogos difíceis, poderíamos demonstrar que ele por trás das cortinas trabalhou no mesmo.

Assim o foco foi escolher alguns produtores ícones da indústria de games e explicar, sempre de brincadeira, como foram tomadas decisões de designs (na maioria das vezes bizarras!!) e como eles estão influenciendo na indústria daqui para frente.

A idéia era fazer episódios tipo o "Arby and the Chief" ou até mesmo algo no estilo "Angry Videogame Nerd", porém problemas com gravação, bonecos, "atores", vozes daria muito trabalho se fosse feito apenas por mim e pelo Bundy. Tentamos depois uma espécie de animação em flash, mas ai a pessoa que estava fazendo parou.

Para não perder o texto decidimos postar o roteiro aqui e ver se alguém gosta :) Tem outro episódio pronto já, anunciando o segundo produtor, se gostarem eu posto o outro depois. Inicialmente iriamos parar por aqui, mas recentemente saiu um jogo que tem um produtor engraçado também, então as chances dele entrar são boas.

Temos o maior respeito por esses produtores e nos consideramos fãs deles, porém não fechamos nossos olhos para algumas escolhas duvidosas que eles fazem nos jogos. O fato de serem personalidades excêntricas também oferece um grande campo de brincadeiras. A idéia seria utilizar esses 3 personagens para comentar a indústria de jogos, os jogos que saem, jogos que já saíram, além de brincar com eles em situações comuns.

Luiz Alberto disse...

Haha eu tinha começado a fazer um vídeo, usando fotos e legendas, mas dá um trabalho imenso!!! Primeiro colocar legendas, depois dublar, depois mexer no vídeo e editá-lo... demora muito! Mas eu gosto das historinhas, são boas!

Joba87 disse...

Ainda vou arrumar uma Dark Dragon Blade e dar na cara desse filho da mãe :P

Unknown disse...

O roteiro ficou bem escrito, muito legal.

É uma pena o projeto não ter se concretizado, o resultado seria muito foda.