terça-feira, 24 de março de 2009

Prophet of Truth: OnLive, futuro dos games ou desastre?

Talvez o principal assunto do dia e da semana seja o anúncio do serviço OnLive, feito hoje na Game Developers Conference (GDC). Trata-se de, no mínimo, uma idéia interessante. Você não precisa mais de computadores super avançados ou até mesmo comprar um novo console. Os seus comandos partem direto do controle para servidores da rede OnLive, e são os computadores de lá que processam tudo, enviando as informações de volta para o seu monitor ou, se você possuir um aparelho específico do OnLive, direto para a tela de sua TV.

Quase todos os sites especializados vem trazendo uma matéria sobre o OnLive, em particular por, se funcionar, ser uma idéia que pode revolucionar todo o mercado de games de uma hora para a outra. A IGN chega a dizer, em uma interessante reportagem, que se tudo der certo a indústria passará por uma revolução e as coisas vão mudar bastante. Tudo que precisa é o apoio de publishers e, lógico, jogadores. Algumas empresas fortes - Take-Two, Eletronic Arts, Ubisoft, Epic, Codemasters, Atari, Eidos e Warner Bros - já mostraram interesse no serviço e vão colocar seus jogos a disposição no OnLive.

Pode parecer maluquice, mas funciona assim: você realiza os comandos no controle e, em algum lugar, um computador reproduz seus movimentos, enviando a informação de volta que roda na sua tela como se fosse um vídeo (alguns vem fazendo comparação como se fosse um vídeo de youtube sendo rodado na sua televisão). O lag seria inexistente, já que o serviço usaria uma função desenvolvida durante 7 anos para driblar sinais dos detestáveis lags. Segundo o Kotaku: "Using patented video compression in tandem with algorithms that compensate for lag, jitter and packet loss, OnLive delivers video at up to 720p resolution at frame rates up to 60 frames per second".

A qualidade da imagem depende da velocidade de internet do usuário. Uma pessoa com internet de 1.5mbps teria a resolução do jogo em 480p, enquanto 5mbps são necessários para rodar em HD (720p).

Outra novidade é que você não gastaria tempo fazendo download de nada, já que todos os jogos estariam guardados nos servidores do OnLive. Acessar um demo, por exemplo, seria um ato instantâneo e sem nenhum tipo de dor de cabeça, assim como rodar um game completo. Você poderia jogar em um MacBook ou mesmo um Netbook e não ter problemas de espaço, já que o jogo estaria rodando em uma outra máquina e o vídeo sim seria mandado para o seu computador ou televisão. Desta forma, pessoas que possuem computadores antigos e não muito potentes seriam beneficiadas através do serviço.

Denis Dyack, da Silicon Knights, mostra-se empolgado com o anúncio, trazendo de volta a discussão do "one console future": "This model is attractive because it eliminates piracy 100 percent, since the consumer does not have anything to copy and needs only to log into the Cloud to interact. Technology is commoditizing the value of hardware to zero and a unified platform will be the likely result. Following this logic to its end, the implication is that hardware could be removed altogether. What hardware one runs behind the wall of the Cloud is unimportant; only what you are transmitting counts. Thus, the ultimate game console in the Cloud model is no console at all."

A IGN teve tempo de testar o serviço. Em primeiro lugar, jogaram Crysis em um MacBook Air, com as opções de gráfico no máximo. Eles mesmo dizem que o MacBook Air não é exatamente para rodar jogos - e Crysis normalmente não está disponível no Mac - mas mesmo assim ficaram surpresos com os resultados. Jogaram também Burnout Paradise e, mesmo sendo um jogo bastante rápido, as respostas foram muito boas. Citaram, no entanto, que não chegou a ser rodar tão liso como a versão de PS3, por exemplo.

O serviço OnLive tem data prevista de lançamento para o final de 2009 e será pago, embora detalhes do preço ainda não tenham sido revelados. O usuário tem acesso a uma lista de amigos, profile e o que chamam de Brag Clips, uma função que deixa o jogador gravar 15 segundos de qualquer game para que ele possa compartilhar a cena com amigos. Também é possível assistir, em tempo real, o que um amigo ou até estranho está jogando. Segundo os criadores, muitos usuários vão achar a idéia interessante de poder ver em ação os melhores jogadores do mundo. A idéia apela muito para Cyber, que terá a chance, finalmente, de assistir Bundy jogando Call of Duty 4.

O assinante pode pagar online pelos jogos ou mesmo alugá-los pelo tempo que desejar, retirando da cabeça dos publishers a má-impressão de aluguel de jogos de PC, o que contribuía para a pirataria. Como o jogo está armazenado em outra máquina, é impossível que ele seja copiado pelo usuário, mesmo tratando-se de aluguel.

No papel, todas as idéias são ótimas, mas quais são as opiniões do pessoal? Eu, particularmente, mantenho o pé atrás. Em um jogo single player pode até não haver lag, mas será que os servidores iam aturar milhões de pessoas logadas ao mesmo tempo jogando uma partida de Deathmatch em um jogo mais conhecido, como Call of Duty? E será que, mesmo se o serviço obtivesse sucesso, as empresas iam deixar as suas maiores pérolas como, por exemplo, God of War 3, Halo 3 e Super Mario Galaxy aparecer neste tipo de serviço? Outra coisa é que parece um serviço muito avançado e realmente perfeito no papel, o que me faz levantar dúvidas se será um sucesso ou um fracasso completo.

Ah, e tem o problema de morarmos no Brasil, ou seja, nada de OnLive para nós. Parece que os servidores estão todos lá nos EUA. Então, primeiro problema para os latinos: não se sabe nem se esse serviço vai sair da América do Norte. Se tiver sucesso, quem sabe... mas se nem a Live chegou aqui no Brasil ainda, é impossível dizer se algo dessa grandeza poderia ser lançado por essas bandas.

O blog Joystiq chegou a esclarecer esse problema de servidores nos EUA: "One downside of the latency issue is that you can't live more than 1,000 miles from a data center. Rearden's hoping its initial five-server launch will give it a large enough footprint, but we'll have to check in with someone remote to see how their mileage varies. Another downside is that it might suck up your entire bandwidth when gaming: OnLive requires 1.5 Mbps for standard def gaming, and 5 Mbps for high def. Again, it's entirely unclear how well this will work once the pieces are all fitted together. Does this keep us from wanting to try it out? Not at all. We'd welcome a portable game system that doesn't care if your computer doesn't even have a GPU."

Bah, já estava aqui todo ansioso para saber quais seriam os resultados de E7ERNO e Pocht usando o seviço. Se eles jogassem online e sem lag o OnLive já poderia ser considerado um sucesso.

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