
A Capcom dá sequência a série Resident Evil com um dos jogos mais aguardados do ano.
Bons gráficos: Jogando em tela cheia dá para perceber que o novo capítulo da série possui gráficos muito bonitos, com paisagens bem feitas e produzidas. Os inimigos, embora não muito variados, são detalhados e a presença de tela dos Majinis satisfaz. Atenção especial foi dada às cutscenes, também muito bem feitas e com expressões faciais entre as melhores dos últimos anos.
Co-op: A principal novidade de RE5 é o co-op, que pode ser jogado local ou pela Xbox Live, onde uma pessoa controla Chris e a outra toma o comando de Sheva Alomar. O combate em co-op agrada e há algumas áreas que foram feitas para as pessoas realmente atuarem como um time, tomando caminhos diferentes - como ocorre com a série Gears of War. É bem divertido acompanhar a ação toda com um parceiro humano, encarando hordas de monstros. Se Resident Evil mantivesse a tradição da série - como RE1, RE2 e RE3, por exemplo - a experiência single player seria o mais aconselhável, mas tendo em vista que RE5 é mais ação que seu antecessor não há nada de errado em jogar a campanha no modo cooperativo. Destruir chefes e participar do mercenaries em dupla é extremamente divertido.
Unlockables: Seguindo com a tradição estabelecida na série, há bastante coisa para destravar em Resident Evil 5, o que aumenta a vida útil do jogo. Há desde roupas até armas novas e munição infinita para as mesmas, além do modo mercenaries e a chamada dificuldade profissional, destravada após o jogo ser terminado na dificuldade veteran. Também é possível usar pontos especiais para comprar algumas outras coisas, como modelos de personagens e filtros para serem usados durante a partida.
Ação, ação, ação: Esse aqui agradará alguns e vai deixar o restante muito triste. Resumindo, não há nada de survival horror em RE5. Se havia algo disso em RE4 então agora acabou de vez. Primeiro, o co-op tira a sensação de você estar sozinho e as suas custas contra uma horda de zumbis. O segundo ponto é que RE5 é mais arcade que o antecessor: o jogo é mais linear e diz até onde você deve ir. Há até uma tela com pontuação no final de cada capítulo, dando notas para sua mira e o tempo gasto para completar a fase. Geralmente o jogo é andar e matar e nada mais.
O primeiro ato é o que pode gerar alguns sustos e certos momentos de tensão e, na minha opinião, é o melhor construído dos seis. Depois que Chris e Sheva chegam no ato 2 é hora de disparar balas para todos os lados, como em uma partida de Gears of War. Em falar nisso, o jogo parece ter tirado diversas influências do game da Epic e em vários momentos dá para parar e pensar: "espere um momento, já vi isso com o Marcus Fênix". O maior desses exemplos é uma arma obtida nas fases mais adiantadas do jogo.
História ridícula: Resident Evil nunca possuiu a melhor das histórias, mas muito do que levava a trama para a frente eram os personagens e o malvadão Wesker. O problema, aqui, é que os personagens parecem sem sal. Chris fica repetindo as mesmas falas durante o jogo e mais parece um imbecil do que um agente super treinado na hora de encarar os vilões. Sheva não fica muito atrás e sua história não é muito esclarecida nem muito desenvolvida durante a história - ela está lá para se vingar dos malvadões, basicamente. Mais da história dela e adicionada através de um documento, mas sinceramente não tive paciência para ler dezenas de páginas sobre a história de (mais) um personagem novo, o que levanta a questão: porque não foi usado um personagem da série ao invés de criar um outro?
Outro problema é que a história é previsível e, resumindo, chata. Enquanto em RE4 havia Ada Wong aparecendo de vez em quando e chefes fazendo aparições para preparar encontros futuros, Resident Evil 5 é extremamente conservador. Wesker parece mais como um vilão enlouquecido e a razão para ele estar fazendo o que está fazendo é simples demais. O twist principal da história é uma piada e quase parece brincar com a inteligência do jogador. Os quatro anos de produção com certeza não foram investidos na história.
Resident Evil 4.5: Embora possa gerar a fúria de alguns, RE5 é mesmo um Resident Evil 4 com upgrades o que, em tese, não é ruim. O problema é não inovarem em muitas partes de RE4. Até não vejo problema em não andar e atirar ao mesmo tempo, mas ficar usando a faca parado com uma animação estúpida da era do Playstation 2 é totalmente sem sentido. A Capcom também pareceu relaxada em usar chefes que lembram os de RE4 e repetir as mesmas animações dos zumbis do jogo de 2005. Até algumas áreas são parecidas e algumas maneiras como os encontros desenrolam. Também parece estranho um jogo demorar tanto tempo para sair e ter tanta coisa igual ao antecessor.
Conclusão: Resident Evil 5 não é um jogo ruim, mas, pelo tempo e pelo hype, a Capcom poderia ter feito muito, mas muito mais. Embora seja uma experiência bem vinda em co-op, a empresa parece ter sido relaxada em várias partes do jogo, sendo, simplesmente, conservadora demais. É um game que provavelmente você vai gostar e jogar até o final mas, ao terminá-lo, vai perceber que muita coisa poderia ter sido feita de forma melhor e com mais requinte, a começar pela história e o tanto de coisa copiada de Resident Evil 4.
Nota: 8/10